quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Anne Rice: "A rainha dos condenados"

Aí vai o registro de leitura de Clara, da 906. Ela associou o seguinte trecho do romance de Anne Rice às imagens abaixo:

"O lugar onde eu estava deitado era escuro e sujo, cheio de cheiros desagradáveis. Em pequenas habitações à nossa volta viviam mortais miseráveis, crianças chorando de fome em meio ao cheiro de fogueiras de cozinha e gordura rançosa.
Havia nesse lugar, guerra de verdade. Não a chacina da montanha, mas uma guerra do século XX. Captei-a nas mentes dos sofredores em vislumbres viscosos – uma existência infinda de carnificina e ameaça, ônibus incendiados, pessoas presas no interior esmurrando as janelas trancadas, caminhões explodindo, mulheres e crianças correndo do fogo de metralhadoras.
(...) Quando me pus de pé e parei ao lado dela, vi um beco lamacento cheio de poças, e outros casebres, alguns com telhados de lata e outros com telhados de jornal. Apoiados à paredes imundas dormiam homens enrolados em trapos da cabeça aos pés, como numa mortalha. Mas não estavam mortos; e os ratos que eles procuravam evitar sabiam disso. (...)
Estava quente ali, e o calor cozinhava o fedor – de urina, fezes, vômito de criancinhas moribundas. Eu sentia até o cheiro da fome das crianças que choravam em espasmos. Sentia o cheiro podre das sarjetas e das fossas.
Aquilo ali não era uma aldeia, era uma favela de casebres e barracos, de desesperança. Cadáveres jaziam entre os barracos. A doença grassava, e os velhos e os doentes sentavam-se silenciosamente na escuridão, sem sonhar com coisa alguma, ou então sonhando com a morte, talvez, que não era coisa alguma, e os bebês choravam."
 
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Registros de leitura: "Querido diário otário", de Jim Benton, e diário de Maria Clara


Escolhi um livro da série ‘’Querido Diário Otário’’ (Dear Dumb Diary), do escritor e ilustrador estadunidense Jim Benton. Fico até constrangida em apresentar um livro desses enquanto minha colega de classe Letícia Freitas faz seus registros inspirada em uma obra de Clarice Lispector. A pessoa que ainda estiver lendo isso aqui deve estar pensando que eu sou da turma do fundão e que sempre digo que o cachorro comeu minha lição para os professores.

            Quem me conhece sabe: eu fui a musa inspiradora de Jim Benton! A personagem principal da história e dona do diário, Jamy Kelly, não aceita seu cabelo e põe a culpa nele por não conseguir conquistar o Lucas Ribas, menino por quem ela é apaixonada. A comida da mãe dela é constante motivo de piadas no livro, e com sua melhor amiga ela se mete nas maiores confusões, pelo menos nas maiores em que um adolescente é capaz de se meter. Se você convive comigo tudo isso que eu escrevi soa familiar: reclamações do cabelo, o nome “Lucas’’ (rsrs #çalinte), o desgosto em ter que comer a comida que a mãe faz, a melhor amiga ( né Thiffany Oliveira da Silva) com quem eu vivo me encontrando em confusões, algumas delas que quase acabaram na delegacia.

           A proposta do trabalho era ler um livro e fazer três registros, relacionado três partes da leitura a imagens, vídeos, músicas, enfim, desde que estes tivessem a ver com o trecho escolhido. Mesmo sabendo disso, meu trabalho não seguirá o roteiro: irei escrever meu próprio diário! Como Thiffany é minha melhor amiga, o nome dela permanecerá como Thiffany, ela já está ciente disso e concorda com os termos de contrato. Para evitar a fadiga, todos os outros nomes foram trocados, ninguém vai se sentir ofendido com meu texto.

        Escrevi muito né? Mas acho que o que a professora chama de trabalho começa aqui.

Registros de leitura: diário de Maria Clara

Segunda- feira

23 de maço de 2012
         
          Rélou, diário. Como foi seu dia? Ah, esqueci que quem tem que contar as coisas por aqui sou eu hehehehe. Hoje de manhã tive aula de Espanhol com a professora Diva, aquela que fede a Cheetos. Recomendo as aulas dela para tratamentos de insônia! Para variar a parte mais interessante do meu dia foi a hora de levar Feitoza para fazer cocô na esquina. Depois resolvi levá-lo para dar uma voltinha: não é porque ele é cachorro que ele não é gente. Resolvi entrar na pracinha. Aff, sabe aquelas velhinhas que já criaram até teia de aranha e que ficam alimentando pombos? Pois bem, tinha uma manada delas em um banco, jogavam felizes migalhas de pão pros pombos, aí o Mufasa corria, espantava as aves e comia as migalhas. As velhas se irritaram e levantaram para dar bengaladas em mim, me senti como se estivesse sendo atacada por zumbis!
Beijunda :3

Registros de leitura: diário de Maria Clara

Terça- feira

24 de março de 2012

     Rélou, diário! Putix! Eu estou mal, muuuuito mal mesmo! X.XDesde o sexto ano eu venho gostando de um menino da minha sala chamado Sacul Sezenem! Tá, ok, o nome dele é meio estranho para padrões ocidentais, mas é que ele vem de família indiana! Pois é, um indiano veio parar no meu colégio!! Até aí beleza, mas ele é o menino mais bonito da classe! Olha aqui uma foto dele http://pds17.egloos.com/pds/201002/05/09/k.swf. Ele não é lindo? Pois é. Mas ele nem me dá bola! Ás vezes eu até tento dar uma sensualizada, mas não dá muito certo =(       Eu acho que é mais fácil eu ser atropelada por uma carrocinha de Chica Bom do que um dia o Sacul Sezenem querer me namorar.

Beijunda :3

Registros de leitura: diário de Maria Clara

Quarta- feira

25 de março de 2012
Rélou, diário! Hoje eu paguei um baita mico por causa do Mufasa! Eu fui levar ele para dar uma cagadinha na esquina. Até aí ocorreu tudo bem. De repente, eu avistei um menino bonito. Bonito, não: lindo! Lindo, não: um menino B-A-F-O! Foi quando eu percebi que ele estava olhando para mim. *o* Ain, eu me senti diva naquele momento!! Aí, como eu estou matando cachorro a grito, resolvi chegar mais perto dele e dar um oi. Foi nesse momento que ele disse: ‘’Moça, o cachorro está cagando no seu pé!’’ Foi o momento mais constrangedor da minha vida, digno de 1 minuto de silêncio.

Beijunda :3

Registro de leitura: diário de Maria Clara


Quinta- feira

26 de março de 2012

Rélou, diário! Estou de prova! Aff! Sabia que agora eu estou tão in love pelo Sacul Sezenem que dei para vê-lo nas paredes? Tipo miragem, sabe? Ai, querido diário, eu ainda pego ele! Deixa eu fazer uma dieta, uma reconstrução facial, um tratamento capilar, me tornar mais popular, aí ninguém me segura! Eu o faço ficar de 4 por moi!                                                                                                                                             
 

       Por ele eu parava até de comer queijo! Mas se bem que ele não está à minha altura! Um dia quando eu estava pensando nele veio um cheiro de Fandangos! Outro dia eu soltei um pum pensando nele.
                                                                                                                 Beijunda: :3

Registros de leitura: diário de Maria Clara

Sexta-feira

27 de março de 2012

     Rélou, diário! Eu cheguei à conclusão de que conquistar o Sacul Sezenem é impossível! Não é que eu seja feia, mas a minha beleza é muito alternativa. Minha testa, é digamos... relevante. E assim não dá para competir com aquelas meninas que ele vive rodeado. Eu fuço no Facebook dele e vejo só menina Top. Bem, hoje eu pedi uns conselhos lá no Yahoo Respostas:

         Como eu conquisto o Sacul Sezenem? Estou apaixonada por um menino que me acha horrorosa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…

Fiz prova para entrar no colégio Pedro II. Entrei lá no 6° ano, tinha 11 anos na época. Logo no 1° dia de aula me apaixonei por um menino chamado Sacul Sezenem. Ele me acha um horror. Hoje já estou com 15 anos e ainda não peguei ele! O que eu faço? Por favor, não escrevam para eu tentar esquecê- lo. Eu o amo muito. Prefiro me matar a nunca ao menos dar-lhe 1 selinho. Aliás, tb sou bv.

 Agora é só esperar as respostas e ver no que vai dar. Para você ter uma noção de como ele vive rodeado de garotas, veja o mapa a baixo:
 
CENSURADO PELA PROFESSORA MÁ.
 
Beijunda :3 

Registro de leitura: diário de Maria Clara

Sábado

28 de março de 2012

     Çocorrrrr! O Sacul Sezenem viu a minha pergunta no Yahoo Respostas! Aliás, não só ele, a turma inteira! Meu Deus do céu! Eu estou muito constrangida! Acho que vou pedir para minha mãe me mudar de colégio! Não tenho mais cara para chegar até o portão! No fundo todos já sabiam que eu gostava dele, não foi isso que me abalou, foi a forma como eu expus meu sentimentos ali! E agora todos sabem que eu nunca beijei ninguém! Mas o que eu não entendo é como ele encontrou aquilo? Eu sei que não foi por acidente, afinal de contas, eu já escrevi o nome dele diversas vezes no Google e não apareceu nada! Alguém contou! Mas quem? Minhas amigas que não foram: elas nunca fariam isso comigo, nunca! Eu estou muito confusa! Acho que é melhor eu ir dormir, minha mãe não pode nem desconfiar!
 
Beijunda :3

Registro de leitura: diário de Maria Clara

Segunda-feira

29 de março de 2012

      Rélou, diário! Eu descobri quem me entregou: foi a [NOME CENSURADO PELA PROFESSORA]! Ela mesma assumiu a culpa! Ela me disse que fez isso porque compartilho muitas coisas da Lady Gaga no Facebook, e isso enche ela! Mas que cobra falsa! Ela sempre levava Nuggtes para a escola para me dar, sabe por quê, sabe por quê? Para me engordar! Ela sempre dizia que eu era linda de cabelo solto, sabe por quê, sabe por quê? Porque meu cabelo parece um Bombril! Eu estou chocada!! VOCÊ SABE O QUE É ISSO? ISSO SE CHAMA SABOTAGEM! SABOTAGEM! ELA QUERIA ME ENGORDAR! ELA QUERIA ME RIDICULARIZAR! Ela riu de mim! E o Sacul Sezenem também! Aliás, até meus professores ficam rindo! Minha professora de português fica levantando coro: ♫♫♫♫ Maria Clara tá namorando, Maria Clara tá namorando ♫♫♫♫ ! Aff, minha sala de aula é pior que o auditório do Programa Silvio Santos!

 

                                                                                                                  Beijunda :3

Registro de leitura: diário de Maria Clara

Terça-feira

30 de março de 2012

     Rélou, diário! Quer saber do mais: não vou mais mudar de escola! A pergunta que eu postei no Yahoo Respostas não é motivo de vergonha! Motivo de vergonha são as atitudes de certas pessoas! ‘’Amar não é pecado’’: já ouvi essa frase em algum lugar, mas deixa quieto! Eu ando de cabeça erguida, afinal de contas, gostar de alguém durante mais de três anos nos dias de hoje é motivo de orgulho. Eu continuarei usando o Yahoo Respostas, e que o desocupado que for lá fuçar minhas perguntas fique careca! Eu não entendo o porquê do drama em torno da minha pergunta! Até porque conheço algumas pérolas do Yahoo que Deus me livre!

 

Registro de leitura: diário de Maria Clara

Quarta-feira

31 de março de 2012

      Rélou, querido diário! =’( Hoje eu estou muito mal, snif. Estou com gases presos, dói-me o ventre. Minha mãe pensou que eu estivesse enfartando, então fui levada até o hospital. Chegando lá o médico me mandou para a emergência. Inicialmente, houve uma suspeita de infarto. Aí eu fiz um tal de eletrocardiograma. Para a tristeza de muitos, eu não estava tendo um infarto. Aí então, o médico resolveu tirar uma radiografia. Não deu outra: eu tinha mais de 20 peidos presos! Eu quase explodi! Mas também, né?, eu como tudo o que vejo pela frente, devo ter algum parentesco com a Adele. O médico me proibiu de comer minhas rosquinhas Mabel por uma semana. Como eu vou sobreviver sem minhas rosquinhas Mabel?

                 Mas agora que eu toquei no assunto, resolvi levantar esta questão:

Beijunda: a kiss on your ass. :3

Registro de leitura: o diário de Maria Clara

Quinta-feira

1° de abril de 2012

     Rélou diário! Hoje foi o melhor dia da minha vida!!! O Sacul Sezenem se declarou para mim! Ele me disse que, depois que viu minha pergunta no Yahoo Respostas, se encantou com a minha coragem! Ele disse que se apaixonou por mim, pois nunca tinha visto uma menina tão decidida e cheia de atitude como eu! Ele disse que eu sou linda *O* e me pediu em namoro! E tem mais: eu perdi o meu BV! Ele veio hoje pedir permissão para a minha mãe, e ela aceitou muito bem! Ele disse que por mim vai passar a estudar mais, para quando nós formos adultos nos casarmos e vivermos no luxo! E para encerrar com chave de ouro, advinha o que aconteceu: [NOME CENSURADO PELA PROFESSORA] quebrou as duas pernas no Pilates hoje!

    Ah, hihi, falando na [NOME CENSURADO PELA PROFESSORA], o pai dela é o dono da Sadia, por isso ela me levava tantos nuggets! Hoje deu no Jornal Nacional: a Sadia faliu! Muahahahahhahahahahahhahahahahahah!

   Pera, pera, pera, eu ainda não acabei, sabia que eu me tornei usuária Top no Yahoo Respostas? Pois é, agora eu sou uma das melhores usuárias!

                                                                                                               Beijunda: :3
 
 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cecily von Ziegesar: "Gossip girls" e Lacrosse: "No more lovesongs"


"Mas assim que passou pelo bar, a caminho do banheiro das mulheres, Blair parou mortificada. No canto, Nathaniel Archibald – o seu Nate – estava beijando a garotinha da sétima série da Constance Billard.
A trilha sonora veio num crescendo e depois parou. A protagonista tremeu, os olhos arregalados.
Blair se sentiu como se tivesse levado um tiro na barriga.
Nate parecia completamente relaxado e feliz. Ele e a garota – qual era o nome dela mesmo, Ginny? Judy? estavam de mãos dadas. Pareciam apaixonados.”


Essa música me lembra esse trecho, pois é exatamente o que acontece com a Blair no livro. Ela tenta conversar com o Nate, seu namorado, mas ele simplesmente a ignora. Nesse trecho do livro, Blair descobre que ele estava se relacionando com uma garota mais nova e mantinha isso em segredo. Portanto, lembrei dessa música enquanto lia, pois, tanto ela quanto essa parte do livro falam sobre decepções amorosas. 

Cecily von Ziegesar: "Gossip girls"


Este é o segundo registro de leitura da Ulli:

“Blair olhou por sobre o ombro e assentiu. Fios de cabelo castanho estavam colados em suas bochechas úmidas e o delineador estava borrado.
– Toma – comentou Serena, indo na direção dela e lhe passando um bolo de toalhas de papel. – Tenho maquiagem e essas coisas na minha bolsa, se você precisar.
– Obrigada. – Blair pegou as toalhas de papel. Assuou o nariz, os ombros tremendo com o esforço. Serena nunca a vira assim tão esgotada.
– Você está bem? – perguntou ela novamente.
Blair olhou para cima e viu uma preocupação genuína nos olhos azuis de Serena. Era inacreditável, mas era verdade.
Mesmo depois de Blair ter sido tão incrivelmente cruel com ela, Serena ainda se importava.
– Não – admitiu Blair. – Definitivamente não estou bem. – Seu peito pesou quando ela deixou escapar um soluço. – Minha vida está uma droga.
Uma das alças de contas do vestido de Blair caiu. Serena estendeu a mão e a colocou no lugar.”

Quando estava lendo o livro, lembrei-me da cena do seriado em que a Serena e a Blair voltam a ser amigas e notei que era muito diferente da do livro. Achei que a da série foi mais dramática e com mais emoção. Além disso, a cena ficou melhor com a parte da carta, que foi um detalhe importante para mostrar como a Blair estava realmente se sentindo quando a Serena foi para o colégio interno sem avisar e durante o período em que ela estava lá sem dar notícias. Na minha opinião, se esse detalhe estivesse no livro, a cena teria ficado melhor e mais clara.


Cecily von Ziegesar: "Gossip Girl"

Este é o primeiro registro de leitura de Ulli, da 901:


  “Enya tocava no sistema de som. Vanessa abriu o casaco e o fechou novamente. Ela odiava Enya.
  – Eu tinha começado um novo projeto na América do Sul – continuou Ken Mogul – Abre com gaivotas alimentando os filhotes com carne de peixes em decomposição e depois passa a gorilas na floresta tropical abandonando a cria. Depois vou cortar para as ruas do Rio, onde as crianças estão se prostituindo em troca de drogas. Não comecei a filmar ainda, mas estava pensando se você podia entrar nessa e conhecer algumas crianças, fazer amizade com elas, pegar as histórias delas. Por acaso não sabe português, não é?”

   Ao ler essa parte do livro, achei que seria interessante procurar mais sobre esse assunto e encontrei esse vídeo. É alarmante como várias jovens, às vezes até menores de idade, encontram na prostituição a única maneira de sustentar a si mesmas e à sua família ou até utilizam o dinheiro para consumo de drogas. Além disso, apesar de não ser surpreendente, é triste o fato de o Brasil e o Rio de Janeiro serem vistos ao redor do mundo como lugares que sofrem de vários problemas como a prostituição, visto que Gossip Girl é um livro americano. 

Suzanne Collins: "Jogos vorazes" e Taylor Swift: "Safe and sound"

Este é o segundo registro de leitura da Bianca, da 901:


Essa música é da trilha sonora do filme, e eu gosto dela porque ela me lembra da parte em que a Katiniss e o Peeta estão na caverna, e ele está com septicemia e a Katiniss está cuidando dele, quando o locutor dos jogos anuncia que  na manhã do dia seguinte haverá um ágape na cornucópia (é um chifre dourado e gigante, em forma de cone e com uma cauda curvada), onde os tributos irão encontrar mochilas com o número de seus distritos contendo itens que os tributos necessitam. Peeta pede pra Katiniss não ir lá, pois é muito perigoso, mas, mesmo dizendo que não vai, Katniss bota xarope do sono na comida de Peeta para que possa ir e assim conseguir o que eles precisam.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Festa Literária da Unidade Humaitá


Queridos alunos:

Adriana Armony, professo do ensino médio, dedicou-se ao longo deste ano para realizar a segunda edição da Festa Literária da Unidade Humaitá. Vamos todos? Acho que a mesa sobre o Nelson Rodrigues, na quarta, será especialmente interessante para vocês. Prometo entregar as redações corrigidas para quem estiver por lá. Não, eu não dou a do colega. Precisa ir. ;)

Aí está a programação:

15/08 – Quarta-feira
9:30 – 12:00 - Abertura: Memórias de Nelson Rodrigues
Nelsinho Rodrigues, Ricardo Oiticica e André Gardel. Mediação: Adriana Armony.
- 14:30 – 16:00 – Novas mídias, novas escritas, com Simone Campos e Ana Paula Maia.
- 16:30 – 18:00 - Literatura e memória, com Alberto Mussa e Ângela Dutra de Menezes.
- 18:00 – 19:30 - A invenção da juventude, com Ricardo Soneto.
16/08 – Quinta-feira
- 10:30 – 12:00 – A experiência da poesia, com Mano Melo e Claufe Rodrigues.
- 14:30 – 16:00 – Ficção e História, com Clóvis Bulcão e Ronaldo Wrobel.
- 16:30 – 18:00 – Cenas da memória em verso e prosa, com Marcelo Moutinho e Ramon Mello.
- 18:00 – 19:30 – Roteiros da Literatura, com David França Mendes e Alexandre Plosk.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Richard Dawkins: "Deus, um delírio"


Este é o registro de leitura de Kyle, da 906:

Este texto, assim como o livro, não é direcionado somente àqueles que não acreditam ou que têm dúvidas em relação à existência de Deus, e sim a qualquer um que queira aprofundar seus conhecimentos ou quiser ver como é o ponto de vista dos não teístas. Este texto, e repito, assim como o livro, também é direcionado àqueles que não sabem que podem. Isso será importante depois, mas antes, devo dizer que grande parte do conteúdo deste texto será tirado e adaptado diretamente do livro e também de pesquisas que faço de vez em quando. Se você já ouviu ou leu algo semelhante ao que estará aqui, pode ou não pode ser mera coincidência.

Quando estava a fazer nada, com um olhar vazio, perdido nos seus tormentos, chamados pensamentos, alguém do qual me lembro, estava com seus olhos direcionados ao teto. Lembrava-se de um artigo que leu sobre uns estranhos chamados ateus, que aparentemente sabiam mais sobre a bíblia do que os cristãos. Sem saber o que ateísmo era, o tal alguém foi pesquisar sobre o assunto. Diante de seus olhos, na tela do computador, aparecia algo que iria marcar sua personalidade, sua visão do mundo, sua vida. 

Interessadíssimo no que via, pesquisou mais, e mais, e mais, e aqui estou escrevendo este texto. No mesmo lugar em que minha nova vida, uma sem a preocupação de que “Deus está olhando e irá te julgar por tudo que fizer”, começou. Várias pessoas deixam de ter essa sensação de clareza na mente, de realmente ser livres, porque não sabem que podem. Grande parte dos responsáveis não educa os filhos, ou crianças das quais eles tomam conta, para ver todas as possibilidades, mas sim para seguir o mesmo caminho que eles. As crianças são levadas à igreja, rezam todas as noites para o anjo da guarda, mas quem os ensinou? Os responsáveis, que fazem as mesmas coisas e não mantêm os pequenos de fora. As crianças não têm idade para conseguirem manter uma opinião sobre sua religiosidade, ou a falta da mesma, então elas fazem os que os responsáveis fazem, porque aos olhos deles, é o que é certo. Não existe uma criança cristã, e sim uma criança de responsáveis cristãos. A ideia pode ser chamada de doutrinação infantil, ou seja, a inserção de doutrinas na mente dos menores, apesar de eu achar isso um pouco exagerado, já que os pais às vezes são boas pessoas e fazem essa “doutrinação” sem perceber, mas isso não faz da ação inexistente.

Assim como o portentoso cantor e compositor John Lennon canta em sua música Imagine:


Imagine there's no heaven                         Imagine que não existe um Paraíso
It's easy if you try                                         É fácil se você tentar
No hell below us                                          Nenhum Inferno abaixo de nós
Above us only sky                                        Acima somente um céu
(…)
Nothing to kill or die for                             Nenhum motivo para matar ou morrer
And no religion too                                     E nenhuma religião também


Imagine um mundo sem religião. Se as religiões monoteístas abraâmicas, não-abraâmicas, politeístas, neopaganistas ou de teísmo indefinido, entre outras, não tivessem existido. As guerras mundiais não teriam acontecido, o Holocausto seria evitado, assassinatos em nome de Deus ou Cristo e outros seriam inexistentes¹, o mundo estaria em um estágio tecnológico e científico que em nossas condições será impossível pelas implicâncias da Igreja, e provavelmente seria possível curar qualquer doença, também impossível, já que aparentemente as células-tronco são “invenções do demônio”.

O poder de interferência que a religião traz é absurdo, o regresso que ela trouxe ao mundo é estrondeante. Na ciência, demoraram 350 anos para aceitarem o fato de que a Terra gira em torno do Sol em vez do Sol rodar ao redor dele. Galileu foi oprimido duas vezes pela Igreja, uma em 1616 e outra em 1633, pois a contrariou mostrando evidências consistentes opostas às ideias aceitas pela Igreja. Em casos nem tão absurdos, mesmo assim bem errados, a música citada anteriormente, "Imagine", de John Lennon, foi censurada na frase “And no religion too” (E nenhuma religião também). Ela foi alterada para “And one religion too” (E somente uma religião).

A palavra “ateísmo” e os derivados da mesma têm uma má imagem criada, obviamente, pela Igreja, que nos julga agente do Demônio (sendo que nós não acreditamos nele também, mas essa eu deixo passar). Além disso, somos ambos ateus. Você só está a um nível de diferença de mim². Impressiona-me que a palavra “religião” não seja considerada ruim também, com religiosos que a maioria da população mundial odeia, como Hitler (que encomendou a morte de 6 milhões de pessoas baseado na religião). É claro que nós, ateus, também temos pessoas ruins ao nosso lado, mas não me recordo de uma que matou porque a(s) outra(s) era(m) religiosa(s). Além do que, os religiosos adoram alguns de nós, em sua visão agentes do Demônio, como, por exemplo, o ator Charles Chaplin, o também ator Hugh Laurie (o famoso Dr.House), a atriz Angelina Jolie, o comediante, clarinetista e cineasta Woody Allen.

Levaremos em conta a Hipótese de que Deus existe. Qual é a evidencia na qual ela é sustentada? A Bíblia, claro. Mas o que garante a veracidade da Bíblia? A Bíblia é a palavra de Deus, então é uma fonte legítima de informação, né?

Não.

A Bíblia é um livro extremamente manipulado pelo homem, usado para os fins e interesses da Igreja, feito para ignorar qualquer tipo de fato e evidência. A resposta que mais ouço quando questiono a Bíblia é que ela é legítima e sagrada por que... (pausa para a tentativa de pensar em algum argumento válido)...  sim, e não se pode questioná-La. Então eu deveria calar a minha boca ou irei ao Inferno, isso se a minha passagem para lá já não foi comprada. O livro foi escrito no Oriente Médio, por volta do século 10 a.C e foi baseado no Torá, a bíblia judaica. Desde então diversas casas no mundo acreditam no que ela diz, então Hogwarts e o Batman devem existir porque eu tenho livros em casa que dizem que eles existem.

Por fim, eu gostaria de me desculpar se você se sentiu ofendido pelo meu ateísmo, mas guerras religiosas, jihads, cruzadas, inquisições, censura da liberdade de expressão, lavagem cerebral em crianças, assassinatos de albinos, forçar menores de idade a casar, mutilação genital de ambos os sexos, apedrejamento, pederastia, homofobia e a rejeição da ciência e razão me ofendem também.

Algumas referências:
¹ Frank Sinatra: “Cristo é reverenciado como o Príncipe da Paz, mas mais sangue foi derramado em Seu nome do que em qualquer figura na história. Mostre-me UM passo a frente em nome da religião que lhe mostro CEM regressões.”

² Stephen Roberts: “Afirmo que ambos somos ateus. Eu só acredito em um Deus a menos do que você. Quando você entender porque rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá porque rejeito o seu”.
Richard Jeni: “Vocês estão, basicamente, matando a si mesmos para ver quem tem o melhor amigo imaginário”.
George B. Shaw: “O fato de um religioso ser mais feliz do que um cético não é diferente do fato de que um bêbado ser mais feliz do que um sóbrio”.
Desconhecido: “Não venha rezar na minha escola, que não pensarei na sua Igreja”.
                             “Duas mãos trabalhando conseguem fazer mais do que mil juntas numa oração.”

Fiódor Dostoiévski: "Crime e castigo"

Aí está o registro de leitura de Daniel, da 906:


O livro que eu escolhi foi Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski. O romance, com dois volumes, é focado nos dilemas morais e na angústia mental de Rodion Romanovich Raskolnikov, um pobre ex-aluno, vivendo em São Petersburgo, que formula e executa um plano para assassinar uma agiota inescrupulosa, porque não consegue mais pagar as dívidas. Assim, Raskolnikov planeja se apoderar de todo o dinheiro dela, argumentando que poderá, com os bens da agiota, realizar boas ações para compensar o crime. Ele também comete esse delito extremo para testar sua própria hipótese de que algumas pessoas são naturalmente capazes de realizar tais coisas, e até mesmo ter o direito de fazê-las. Várias vezes ao longo do romance, Raskolnikov justifica suas ações, ligando-se mentalmente com Napoleão Bonaparte, acreditando que o assassinato é permitido quando em busca de um propósito maiorEste é um romance muito intrigante, recomendado para os leitores procurando uma leitura mais densa e com muita descrição dos sentimentos e da personalidade das personagens.

Pelo fato de ter sido um livro famoso, Crime e Castigo ganhou diversas adaptações ao cinema.  Infelizmente, eu só pude assistir à versão de 2002, realizada pela BBC. O filme é separado em duas partes (como o livro).  Tanto o livro quanto  filme são altamente recomendados. 


terça-feira, 10 de julho de 2012

Machado de Assis: "Quem conta um conto..." e Victoria Becker: "Um segredo descoberto"

Este conto foi criado por Victoria, da 906, com a finalidade de ser uma espécie de ‘continuação’ de outro conto machadiano chamado “Quem Conta um Conto...”.


UM SEGREDO DESCOBERTO
Teresa Maria, sobrinha do Major Gouveia, costurava calmamente quando a escrava veio lhe chamar. O jantar estava posto.
Assim que se sentou, logo ouviu uma voz conhecida e levantou a cabeça do prato. O seu amado tio estava na outra ponta da mesa. Este bebia um delicioso vinho e ria consigo mesmo enquanto chamava a atenção dos presentes para escutarem um fato curioso que ocorrera outro dia.
Uma aragem forte açoitava o rosto jovem e belo da moça, fazendo seus compridos e castanhos cabelos dançarem junto da saia longa e verde bordada em rosa de seu vestido.
Ela se encolhia, mas não desistia. Um rapaz alto de cabelos amarelos como palha se aproximou, um sorriso no rosto. Mas este logo desapareceu quando viu que a moça não correspondeu a ele, como de costume.
– Teresinha, minha amada, o que houve? Por que tu não estás sorrindo, meu tambor de mina?
– É sobre o meu tio. Ele... descobriu tudo.
O jovem empalideceu imediatamente e de sua boca trêmula, um murmúrio que quase não dava para se ouvir saiu. “Mas... Como?”.
– Ele comentou algo como “Castigarei minha sobrinha se ela deitar os olhos em algum alferes, justo estando para casar!”. E parece que seus conhecidos distorceram os fatos, passando pela trama de nossa fuga!
Ela abaixou a cabeça e a sacudiu em um ato desolado, escondendo o rosto nas mãos delicadas.
O amante passou os dedos pelos cabelos de Teresa, e esta só conseguiu olhar para ele, os olhos brilhando triste sob a luz do luar, como se perguntassem “E agora, o que faremos?”.
– Vamos fugir imediatamente – ele disse subitamente.
Teresa arregalou os olhos em espanto.
– Estás louco! Assim, tão de repente? Aliás, há algo que quero lhe dizer há muito: Jamais farei isso!
– Por que não, Teresa? – o homem já se revoltava.
– Ora, Giles, eu nunca teria coragem de cometer tamanha traição contra a minha família! O primeiro grupo social com o qual me envolvi! Com o qual eu continuo a me envolver! Está certo, escondo a verdade deles por sua causa, mas eu jamais seria capaz de fugir, simplesmente ignorando tudo o que fizeram para mim, para meu bem, sendo uma ingrata por todos os sacrifícios feitos!
Giles gritou alguma coisa que não pôde ser ouvida por causa do vento uivante e cortante da baía e ele cruzou os braços, dando as costas logo em seguida.
Foi um ato infantil de criança mimada e Teresa sabia disso, mas ela apenas conseguiu fazer algo similar: ela abraçou a si mesma, se virou e deu quatro passos, se afastando. Em seguida, ela parou e começou a se embalar do mesmo modo que se embala uma criança de colo.
Depois de minutos sem trocar uma palavra sequer, Teresa finalmente tomou a iniciativa:
–... Não há algo que possamos fazer?
–... Há, há sim, Teresa Maria.
Os dois se viraram e Giles foi ao encontro da moça. Ele a segurou firmemente pelos ombros e deu um sacudida leve, assustando um pouco.
– Seguiremos nossas vidas.
– Não, Giles, não...
– Admita, isso jamais poderia dar certo. Tu és nobre, eu sou um mero alferes.
– Mas eu não quero me separar de você.
– E você não precisa.
– Porque eu sempre o terei em meu coração? – e ela sorriu.
Silêncio.
– Na verdade, eu iria dizer que poderíamos nos encontrar em segredo, mas se é assim que tu queres...
– Não, Giles, eu prefiro do seu modo. É muito melhor.
– Então está decidido.
Os dois se aproximaram e seus lábios se juntaram em um beijo que selou a promessa de os dois seguirem suas vidas e seus respectivos caminhos, mas se encontrando ocasionalmente e com aleatórios intervalos para não gerar suspeitas.
Sabiam que isso não iria durar para sempre e que até o próximo encontro seria um bom tempo de espera. Por isso eles se abraçaram e ficaram admirando a linda paisagem de Botafogo naquela ventosa noite de outono.
O inverno estava prestes a chegar. E não era só para a cidade.

***

Para quem quiser ler o conto de Machado: http://www2.uol.com.br/machadodeassis/machado.html

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Agatha Christie: "O caso dos dez negrinhos" e adaptação cinematográfica

Este é o registro de leitura de Isabela, da 901:

O livro escolhido foi O caso dos dez negrinhos, da autora Agatha Christhie. A história começa quando oito pessoas, que, aparentemente, não têm nada em comum, são chamadas para passar suas férias na Ilha do Negro. Essa ilha está cercada de boatos acerca de seu novo comprador e parece que essa personagem conhece os convidados ou tem ligação com eles, mesmo assinando suas cartas como U.N.O., seu nome abreviado. Quando chegam à ilha só estão lá dois empregados e nada dos donos da casa...
Nessa mesma noite, uma vitrola colocada na sala, a pedido do dono, soa um aviso. Todos naquela casa cometeram assassinatos e deverão pagar por crimes. A trama se adensa quando um convidado, o mais novo e cheio de saúde deles, e a empregada morrem, de causas não naturais, seguindo trechos de um poema infantil que está nas paredes de todos os quartos da casa:



Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.
Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.
Oito negrinhos vão a Devon em charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.
Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.
Seis negrinhos de uma colmeia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.
Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.
Quatro negrinhos no mar; a um tragou de vez
O arenque defumado, e então ficaram três.
Três negrinhos passeando no zoo. E depois?
O urso abraçou um, e então ficaram dois.
Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.
Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não sobrou nenhum.


Todos sabem que estão ameaçados, mas não existe possibilidade de nenhum personagem sair da ilha com a tempestade que está desabando, e sem um barco.
O livro é muito bom, pois qualquer um dos personagens pode ser o criminoso. O crime parece estar sem solução a partir da morte dos “mais suspeitos”, mas nada é o que parece. A autora consegue levar o leitor, à medida que ocorrem novos fatos, a desconfiar de uma pessoa ou mais pessoas e depois acabar com suas desconfianças. Só para deixar que o leitor fique sem pistas, para que descubra somente no final que é o assassino.
Por causa do sucesso do livro, houve, pelo menos, três adaptações para o cinema, como And then there were none (“Então não sobrou nenhum”). Eu assisti só à versão de 1945 e a achei muito boa, apesar de ter uma ou outra mudança do livro. A versão é em inglês e as legendas não são boas, mas para quem conseguir entender, eu recomendo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Khaled Rosseini: "O caçador de pipas"

Este é o registro de leitura de Lucas Dessupoio:

Eu já tinha lido e estou relendo esse livro, que é muito conhecido e muito especial para mim porque mostra o valor da amizade, a cumplicidade de dois amigos. Hoje em dia qualquer pipa que eu vejo, mesmo que não esteja voando, eu lembro dessa história porque esse livro me ajudou bastante quando eu passei por um momento difícil e, com o passar da leitura, eu vi que, quando se tem um amigo, é muito mais fácil e até mais prazeroso viver...

A narrativa conta a história de dois meninos que viviam em Cabul, no Afeganistão. Durante grande parte da infância, eles foram amigos inseparáveis embora fossem de classes sociais diferentes. Um era o empregado do outro: Amir, filho de um rico comerciante e anticomunista, e Hassan, um hazara (classe social inferior), filho do empregado da casa. Os dois nasceram no mesmo dia, mas, no parto, a mãe de Amir morreu. Portanto, ele vivia apenas com o pai e os empregados.

A fidelidade de Hassan para com Amir transcendia (ultrapassava) a amizade. Ele fazia absolutamente tudo para seu amigo, por quem tinha uma grande admiração. Amir era alfabetizado, lia histórias para Hassan, muitas vezes contava suas próprias histórias.

Hassan era esperto e sempre defendia o amigo de brigas nas ruas; era também o melhor apanhador de pipas. Era uma tradição no país O Campeonato de Pipas, cujo vencedor era respeitado e merecedor de orgulho do pai. Amir se ressentia do amor paterno e precisava ganhar o campeonato da temporada. O vencedor cortaria todas as pipas do céu e deveria ter a última pipa cortada para si. A competição era grande e todas as crianças da cidade se envolviam em pegar a última pipa cortada.

Foi no último campeonato de pipas do qual participara que aconteceu um fato que os separaria para sempre. Com a ajuda de Hassan, Amir cortou a última pipa no céu e Hassan prometeu que a apanharia para ele. Por entre os becos da cidade Hassan foi à busca da pipa e acabou sendo encurralado por uma turma de meninos liderados pelo preconceituoso Assef. Assef humilhou Hassan, zombando da sua fidelidade para com Amir e queria tomar dele a pipa que ele havia prometido para Amir. Ao resistir, Hassan levou uma surra dos meninos e ainda foi sexualmente abusado por Assef. Amir presenciou tudo, escondido atrás de um muro e não fez absolutamente nada para salvar o amigo – seu egoísmo falou mais alto e ele carregou consigo essa culpa pelo resto da vida. Não suportando sua covardia, afastou-se de Hassan e tramou para que seu pai despedisse os empregads, pois não conseguia conviver com aquela situação – encarar Hassan diariamente e assumir sua atitude covarde já sinalizada pelo pai, o que muito o machucou. Escondeu o relógio que ganhara de presente do pai na casa de Hassan simulando o furto, pois sabia que o único erro que seu pai jamais perdoaria seria o roubo. Com esta situação o pai de Hassan foi-se embora com o filho. Acontecia então a separação física dos dois amigos que nunca mais se veriam.

Passaram-se anos, a Rússia invadiu o Afeganistão e, sendo o pai de Amir anticomunista, eles precisaram fugir, pois certamente seriam mortos. Fugiram para o EUA, onde Amir se formou, tornou-se um escritor (contra a vontade do pai, que nunca havia se interessado por suas estórias) e casou-se. Seu pai já estava muito doente quando realmente se aproximaram e logo veio a falecer. Após um tempo, Amir recebeu uma carta de um amigo de seu pai que ficara tomando conta da casa deles em Cabul. Amir o considerava muito desde sua infância, quando este o apoiava para que fosse escritor. Ele estava muito doente e precisava falar com Amir. Foi então que revelou a ele que, na verdade, Hassan era seu irmão e que havia sido morto ao tentar proteger a casa onde haviam passado a sua infância. Os talibãs não acreditaram que ele era apenas o empregado da casa e mataram-no juntamente com a sua mulher. O filho que eles deixaram, Sonhrab, nome de um personagem da estória preferida de Hassan, estava morando em um orfanato e acabou “vendido” para Assef, que o usava como uma gueixa. Para se redimir da traição com seu próprio irmão e vencer aquela culpa que carregava em sua vida, Amir precisava salvar seu sobrinho e assim o fez. Após muita luta, conseguiu levar Sonhrab para América e lhe proporcionar uma vida digna. O livro termina com Amir levando Sonhar para participar de um Campeonato de Pipas e resgatando para ele a última pipa e junto um pouco de paz de espírito.

... Sempre que vejo uma pipa azul ou dois amigos conversando passa na minha cabeça uma parte do livro...

Suzanne Collins: "Jogos vorazes"

Bianca, da 901, está lendo Jogos vorazes. Este é seu primeiro registro de leitura: "Estava vendo fotos de cupcakes e vi esse do tordo, que é o simbolo do distrito 12. A imagem também me fez lembrar do personagem Peeta, que é filho de um padeiro e quem confeita os bolos."



Ela também enviou a sinopse do livro: "Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte!
Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?"

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Clarice Lispector: "A hora da estrela" e Chico Buarque: "Construção"

Leticia selecionou este trecho para fazer seu último registro de leitura: "Então -- ali deitada -- teve uma felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte." Essa passagem lhe faz lembrar a música "Construção", de Chico Buarque, pois ela também alusão à morte.



Clarice Lispector: "A hora da estrela" e Joyce: "Cartomante"

Letícia, da 901, envia seus últimos registros da leitura de A hora da estrela, de Clarice Lispector:

"Ao ler este trecho do livro, lembrei-me, imediatamente, de uma música ouvida há tempos, pertencente a uma trilha sonora de uma novela: 'Saiu da casa da cartomante aos tropeços e parou no beco escurecido pelo crepúsculo -- crepúsculo que é hora de ninguém. Mas ela de olhos ofuscados como se o último final da tarde fosse mancha de sangue e ouro quase negro. Tanta riqueza de atmosfera a recebeu e o primeiro esgar da noite que, sim, sim, era funda e faustosa.' A música fala sobre as previsões do futuro e, principalmente, do fascínio pelas cartomantes. Ela está disponível neste link: http://www.radio.uol.com.br/musica/joyce/cartomante/189085"


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Graciliano Ramos: "Vidas Secas" e Titãs: "Marvin"

Bianca, da 904, enviou seu registro final, em que propõe um novo final para o livro que estava lendo:

"O final do livro Vidas secas me deixou um pouco decepcionada pois esperava por um desfecho para cada personagem. Ao contrário disso, o livro termina com a família caminhando em busca de uma nova vida, mas que vida seria essa? Então, escutando uma música, percebi que ela daria um bom final ao livro. A música é cantada pelo grupo Titãs e o nome dela é 'Marvin'. Marvin no livro seria o menino mais velho, que, ao longo da canção, vai contando sua história e a de sua família depois da segunda fuga da seca."



A letra da música é esta:

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro
Era um grande coração
Ganhava a vida
Com muito suor
E mesmo assim
Não podia ser pior
Pouco dinheiro
Pra poder pagar
Todas as contas
E despesas do lar...
Mas Deus quis
Vê-lo no chão
Com as mãos
Levantadas pro céu
Implorando perdão
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"...
E três dias depois de morrer
Meu pai, eu queria saber
Mas não botava
Nem os pés na escola
Mamãe lembrava
Disso a toda hora...
E todo dia
Antes do sol sair
Eu trabalhava
Sem me distrair
Às vezes acho que
Não vai dar pé
Eu queria fugir
Mas onde eu estiver
Eu sei muito bem
O que ele quis dizer
Meu pai, eu me lembro
Não me deixa esquecer
Ele disse:
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino
Eu sei de cor"...
-"E então um dia
Uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho
De um ano inteiro
E aos treze anos
De idade eu sentia
Todo o peso do mundo
Em minhas costas
Eu queria jogar
Mas perdi a aposta"...
Trabalhava feito
Um burro nos campos
Só via carne
Se roubasse um frango
Meu pai cuidava
De toda a família
Sem perceber
Segui a mesma trilha
E toda noite minha mãe orava
Deus!
Era em nome da fome
Que eu roubava
Dez anos passaram
Cresceram meus irmãos
E os anjos levaram
Minha mãe pelas mãos
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor"...