terça-feira, 24 de julho de 2012

Richard Dawkins: "Deus, um delírio"


Este é o registro de leitura de Kyle, da 906:

Este texto, assim como o livro, não é direcionado somente àqueles que não acreditam ou que têm dúvidas em relação à existência de Deus, e sim a qualquer um que queira aprofundar seus conhecimentos ou quiser ver como é o ponto de vista dos não teístas. Este texto, e repito, assim como o livro, também é direcionado àqueles que não sabem que podem. Isso será importante depois, mas antes, devo dizer que grande parte do conteúdo deste texto será tirado e adaptado diretamente do livro e também de pesquisas que faço de vez em quando. Se você já ouviu ou leu algo semelhante ao que estará aqui, pode ou não pode ser mera coincidência.

Quando estava a fazer nada, com um olhar vazio, perdido nos seus tormentos, chamados pensamentos, alguém do qual me lembro, estava com seus olhos direcionados ao teto. Lembrava-se de um artigo que leu sobre uns estranhos chamados ateus, que aparentemente sabiam mais sobre a bíblia do que os cristãos. Sem saber o que ateísmo era, o tal alguém foi pesquisar sobre o assunto. Diante de seus olhos, na tela do computador, aparecia algo que iria marcar sua personalidade, sua visão do mundo, sua vida. 

Interessadíssimo no que via, pesquisou mais, e mais, e mais, e aqui estou escrevendo este texto. No mesmo lugar em que minha nova vida, uma sem a preocupação de que “Deus está olhando e irá te julgar por tudo que fizer”, começou. Várias pessoas deixam de ter essa sensação de clareza na mente, de realmente ser livres, porque não sabem que podem. Grande parte dos responsáveis não educa os filhos, ou crianças das quais eles tomam conta, para ver todas as possibilidades, mas sim para seguir o mesmo caminho que eles. As crianças são levadas à igreja, rezam todas as noites para o anjo da guarda, mas quem os ensinou? Os responsáveis, que fazem as mesmas coisas e não mantêm os pequenos de fora. As crianças não têm idade para conseguirem manter uma opinião sobre sua religiosidade, ou a falta da mesma, então elas fazem os que os responsáveis fazem, porque aos olhos deles, é o que é certo. Não existe uma criança cristã, e sim uma criança de responsáveis cristãos. A ideia pode ser chamada de doutrinação infantil, ou seja, a inserção de doutrinas na mente dos menores, apesar de eu achar isso um pouco exagerado, já que os pais às vezes são boas pessoas e fazem essa “doutrinação” sem perceber, mas isso não faz da ação inexistente.

Assim como o portentoso cantor e compositor John Lennon canta em sua música Imagine:


Imagine there's no heaven                         Imagine que não existe um Paraíso
It's easy if you try                                         É fácil se você tentar
No hell below us                                          Nenhum Inferno abaixo de nós
Above us only sky                                        Acima somente um céu
(…)
Nothing to kill or die for                             Nenhum motivo para matar ou morrer
And no religion too                                     E nenhuma religião também


Imagine um mundo sem religião. Se as religiões monoteístas abraâmicas, não-abraâmicas, politeístas, neopaganistas ou de teísmo indefinido, entre outras, não tivessem existido. As guerras mundiais não teriam acontecido, o Holocausto seria evitado, assassinatos em nome de Deus ou Cristo e outros seriam inexistentes¹, o mundo estaria em um estágio tecnológico e científico que em nossas condições será impossível pelas implicâncias da Igreja, e provavelmente seria possível curar qualquer doença, também impossível, já que aparentemente as células-tronco são “invenções do demônio”.

O poder de interferência que a religião traz é absurdo, o regresso que ela trouxe ao mundo é estrondeante. Na ciência, demoraram 350 anos para aceitarem o fato de que a Terra gira em torno do Sol em vez do Sol rodar ao redor dele. Galileu foi oprimido duas vezes pela Igreja, uma em 1616 e outra em 1633, pois a contrariou mostrando evidências consistentes opostas às ideias aceitas pela Igreja. Em casos nem tão absurdos, mesmo assim bem errados, a música citada anteriormente, "Imagine", de John Lennon, foi censurada na frase “And no religion too” (E nenhuma religião também). Ela foi alterada para “And one religion too” (E somente uma religião).

A palavra “ateísmo” e os derivados da mesma têm uma má imagem criada, obviamente, pela Igreja, que nos julga agente do Demônio (sendo que nós não acreditamos nele também, mas essa eu deixo passar). Além disso, somos ambos ateus. Você só está a um nível de diferença de mim². Impressiona-me que a palavra “religião” não seja considerada ruim também, com religiosos que a maioria da população mundial odeia, como Hitler (que encomendou a morte de 6 milhões de pessoas baseado na religião). É claro que nós, ateus, também temos pessoas ruins ao nosso lado, mas não me recordo de uma que matou porque a(s) outra(s) era(m) religiosa(s). Além do que, os religiosos adoram alguns de nós, em sua visão agentes do Demônio, como, por exemplo, o ator Charles Chaplin, o também ator Hugh Laurie (o famoso Dr.House), a atriz Angelina Jolie, o comediante, clarinetista e cineasta Woody Allen.

Levaremos em conta a Hipótese de que Deus existe. Qual é a evidencia na qual ela é sustentada? A Bíblia, claro. Mas o que garante a veracidade da Bíblia? A Bíblia é a palavra de Deus, então é uma fonte legítima de informação, né?

Não.

A Bíblia é um livro extremamente manipulado pelo homem, usado para os fins e interesses da Igreja, feito para ignorar qualquer tipo de fato e evidência. A resposta que mais ouço quando questiono a Bíblia é que ela é legítima e sagrada por que... (pausa para a tentativa de pensar em algum argumento válido)...  sim, e não se pode questioná-La. Então eu deveria calar a minha boca ou irei ao Inferno, isso se a minha passagem para lá já não foi comprada. O livro foi escrito no Oriente Médio, por volta do século 10 a.C e foi baseado no Torá, a bíblia judaica. Desde então diversas casas no mundo acreditam no que ela diz, então Hogwarts e o Batman devem existir porque eu tenho livros em casa que dizem que eles existem.

Por fim, eu gostaria de me desculpar se você se sentiu ofendido pelo meu ateísmo, mas guerras religiosas, jihads, cruzadas, inquisições, censura da liberdade de expressão, lavagem cerebral em crianças, assassinatos de albinos, forçar menores de idade a casar, mutilação genital de ambos os sexos, apedrejamento, pederastia, homofobia e a rejeição da ciência e razão me ofendem também.

Algumas referências:
¹ Frank Sinatra: “Cristo é reverenciado como o Príncipe da Paz, mas mais sangue foi derramado em Seu nome do que em qualquer figura na história. Mostre-me UM passo a frente em nome da religião que lhe mostro CEM regressões.”

² Stephen Roberts: “Afirmo que ambos somos ateus. Eu só acredito em um Deus a menos do que você. Quando você entender porque rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá porque rejeito o seu”.
Richard Jeni: “Vocês estão, basicamente, matando a si mesmos para ver quem tem o melhor amigo imaginário”.
George B. Shaw: “O fato de um religioso ser mais feliz do que um cético não é diferente do fato de que um bêbado ser mais feliz do que um sóbrio”.
Desconhecido: “Não venha rezar na minha escola, que não pensarei na sua Igreja”.
                             “Duas mãos trabalhando conseguem fazer mais do que mil juntas numa oração.”

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