segunda-feira, 2 de julho de 2012

Khaled Rosseini: "O caçador de pipas"

Este é o registro de leitura de Lucas Dessupoio:

Eu já tinha lido e estou relendo esse livro, que é muito conhecido e muito especial para mim porque mostra o valor da amizade, a cumplicidade de dois amigos. Hoje em dia qualquer pipa que eu vejo, mesmo que não esteja voando, eu lembro dessa história porque esse livro me ajudou bastante quando eu passei por um momento difícil e, com o passar da leitura, eu vi que, quando se tem um amigo, é muito mais fácil e até mais prazeroso viver...

A narrativa conta a história de dois meninos que viviam em Cabul, no Afeganistão. Durante grande parte da infância, eles foram amigos inseparáveis embora fossem de classes sociais diferentes. Um era o empregado do outro: Amir, filho de um rico comerciante e anticomunista, e Hassan, um hazara (classe social inferior), filho do empregado da casa. Os dois nasceram no mesmo dia, mas, no parto, a mãe de Amir morreu. Portanto, ele vivia apenas com o pai e os empregados.

A fidelidade de Hassan para com Amir transcendia (ultrapassava) a amizade. Ele fazia absolutamente tudo para seu amigo, por quem tinha uma grande admiração. Amir era alfabetizado, lia histórias para Hassan, muitas vezes contava suas próprias histórias.

Hassan era esperto e sempre defendia o amigo de brigas nas ruas; era também o melhor apanhador de pipas. Era uma tradição no país O Campeonato de Pipas, cujo vencedor era respeitado e merecedor de orgulho do pai. Amir se ressentia do amor paterno e precisava ganhar o campeonato da temporada. O vencedor cortaria todas as pipas do céu e deveria ter a última pipa cortada para si. A competição era grande e todas as crianças da cidade se envolviam em pegar a última pipa cortada.

Foi no último campeonato de pipas do qual participara que aconteceu um fato que os separaria para sempre. Com a ajuda de Hassan, Amir cortou a última pipa no céu e Hassan prometeu que a apanharia para ele. Por entre os becos da cidade Hassan foi à busca da pipa e acabou sendo encurralado por uma turma de meninos liderados pelo preconceituoso Assef. Assef humilhou Hassan, zombando da sua fidelidade para com Amir e queria tomar dele a pipa que ele havia prometido para Amir. Ao resistir, Hassan levou uma surra dos meninos e ainda foi sexualmente abusado por Assef. Amir presenciou tudo, escondido atrás de um muro e não fez absolutamente nada para salvar o amigo – seu egoísmo falou mais alto e ele carregou consigo essa culpa pelo resto da vida. Não suportando sua covardia, afastou-se de Hassan e tramou para que seu pai despedisse os empregads, pois não conseguia conviver com aquela situação – encarar Hassan diariamente e assumir sua atitude covarde já sinalizada pelo pai, o que muito o machucou. Escondeu o relógio que ganhara de presente do pai na casa de Hassan simulando o furto, pois sabia que o único erro que seu pai jamais perdoaria seria o roubo. Com esta situação o pai de Hassan foi-se embora com o filho. Acontecia então a separação física dos dois amigos que nunca mais se veriam.

Passaram-se anos, a Rússia invadiu o Afeganistão e, sendo o pai de Amir anticomunista, eles precisaram fugir, pois certamente seriam mortos. Fugiram para o EUA, onde Amir se formou, tornou-se um escritor (contra a vontade do pai, que nunca havia se interessado por suas estórias) e casou-se. Seu pai já estava muito doente quando realmente se aproximaram e logo veio a falecer. Após um tempo, Amir recebeu uma carta de um amigo de seu pai que ficara tomando conta da casa deles em Cabul. Amir o considerava muito desde sua infância, quando este o apoiava para que fosse escritor. Ele estava muito doente e precisava falar com Amir. Foi então que revelou a ele que, na verdade, Hassan era seu irmão e que havia sido morto ao tentar proteger a casa onde haviam passado a sua infância. Os talibãs não acreditaram que ele era apenas o empregado da casa e mataram-no juntamente com a sua mulher. O filho que eles deixaram, Sonhrab, nome de um personagem da estória preferida de Hassan, estava morando em um orfanato e acabou “vendido” para Assef, que o usava como uma gueixa. Para se redimir da traição com seu próprio irmão e vencer aquela culpa que carregava em sua vida, Amir precisava salvar seu sobrinho e assim o fez. Após muita luta, conseguiu levar Sonhrab para América e lhe proporcionar uma vida digna. O livro termina com Amir levando Sonhar para participar de um Campeonato de Pipas e resgatando para ele a última pipa e junto um pouco de paz de espírito.

... Sempre que vejo uma pipa azul ou dois amigos conversando passa na minha cabeça uma parte do livro...

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