quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Anne Rice: "A rainha dos condenados"

Aí vai o registro de leitura de Clara, da 906. Ela associou o seguinte trecho do romance de Anne Rice às imagens abaixo:

"O lugar onde eu estava deitado era escuro e sujo, cheio de cheiros desagradáveis. Em pequenas habitações à nossa volta viviam mortais miseráveis, crianças chorando de fome em meio ao cheiro de fogueiras de cozinha e gordura rançosa.
Havia nesse lugar, guerra de verdade. Não a chacina da montanha, mas uma guerra do século XX. Captei-a nas mentes dos sofredores em vislumbres viscosos – uma existência infinda de carnificina e ameaça, ônibus incendiados, pessoas presas no interior esmurrando as janelas trancadas, caminhões explodindo, mulheres e crianças correndo do fogo de metralhadoras.
(...) Quando me pus de pé e parei ao lado dela, vi um beco lamacento cheio de poças, e outros casebres, alguns com telhados de lata e outros com telhados de jornal. Apoiados à paredes imundas dormiam homens enrolados em trapos da cabeça aos pés, como numa mortalha. Mas não estavam mortos; e os ratos que eles procuravam evitar sabiam disso. (...)
Estava quente ali, e o calor cozinhava o fedor – de urina, fezes, vômito de criancinhas moribundas. Eu sentia até o cheiro da fome das crianças que choravam em espasmos. Sentia o cheiro podre das sarjetas e das fossas.
Aquilo ali não era uma aldeia, era uma favela de casebres e barracos, de desesperança. Cadáveres jaziam entre os barracos. A doença grassava, e os velhos e os doentes sentavam-se silenciosamente na escuridão, sem sonhar com coisa alguma, ou então sonhando com a morte, talvez, que não era coisa alguma, e os bebês choravam."
 
 

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